Com a predominância de mulheres Advogadas em cargos da Ordem, particularmente relevante ao nível regional e local, aproveitámos esta edição para pedir às Colegas que, com o seu testemunho, nos dessem a sua visão da Advocacia e da participação feminina ativa nos destinos da instituição.

Em particular, quisemos saber o que as moveu para se candidatarem e assumirem um cargo dirigente, como avaliam a experiência quer nessa tarefa, quer como Advogadas e se consideram que o facto de serem mulheres imprimiu uma forma de estar e de liderar diferentes.

Pode ler aqui a visão das Colegas que nos fizeram chegar os seus testemunhos: a Presidente do Conselho Regional de Coimbra, as Presidentes dos Conselhos de Deontologia de Lisboa, da Madeira e dos Açores, e as Presidentes das Delegações de Aveiro, Barcelos, Condeixa-a-Nova, Paços de Ferreira, Santa Maria da feria, Sintra, Vila Franca de Xira e Vila do Porto (Açores).

 

Nome e cargo

Testemunho

Teresa Letras 

 

Presidente do Conselho Regional de Coimbra

A minha participação na vida da Ordem dos Advogados não é um episódio recente ou um desvio de percurso; é uma constante que corre em paralelo com a minha própria identidade profissional. Com cerca de 30 anos de exercício da advocacia, orgulho-me de dizer que o meu contributo ativo para a nossa instituição é quase tão antigo quanto a minha cédula. Ao longo de mais de um quarto de século, incorporei no meu ‘ADN’ uma devoção genuína à causa comum, transformando o serviço à Ordem e aos Colegas numa extensão natural do meu compromisso com a Justiça.

Na verdade, o meu percurso na Ordem dos Advogados não foi uma linha reta traçada por um desígnio de poder ou por um projeto previamente delineado. Pelo contrário, a chegada à Presidência do Conselho Regional de Coimbra aconteceu de forma absolutamente natural, quase como um desfecho inevitável de uma simbiose profunda entre a minha prática forense e o exercício de múltiplas funções na Ordem dos Advogados.

Foi no exercício de distintas e, para mim, exigentes atribuições que consolidei o que denomino como o meu tirocínio institucional.

Nessa trajetória, a formação ocupa um lugar de absoluta centralidade: foi, e continua a ser, a minha grande paixão. Movida por uma busca incessante de saber e pela premência de partilhar reflexões, entendo a formação não como um formalismo, mas como o veículo primordial para a diferenciação da nossa classe por via da mais elevada qualificação. É tamanho o meu apego a este ideal que fiz dele o projeto matriz dos meus mandatos enquanto Presidente.

Acredito, convictamente, que a dignidade da advocacia se joga na excelência do conhecimento; por isso, desde o rigor da avaliação enquanto membro de júri das orais de agregação, onde testemunhei a renovação da classe, até à densidade ética de integrar o Conselho de Deontologia de Coimbra, cada etapa foi uma escola de exigência. Da responsabilidade de servir como Vogal Tesoureira à honra de exercer como Vice-Presidente, estes lugares de sucessiva superação forjaram em mim a certeza de que liderar é, acima de tudo, uma prova de capacitação contínua.

O caminho que trilhei é, assim, o resultado de uma ininterrupta aprendizagem e de uma busca incessante por um crescimento pessoal, profissional e institucional. Um longo e amadurecido percurso, ao longo do qual procurei cultivar a acuidade necessária para antecipar os complexos desafios de uma profissão que se transfigurou radicalmente desde o momento em que prestei o meu juramento.

É esta bagagem – tecida entre a memória institucional e uma escuta ativa e prolongada – que me permite hoje, enquanto Presidente do Conselho Regional de Coimbra, encarar os crescentes desafios do mundo global e as particularidades do contexto nacional com a serenidade de quem tem procurado conhecer de perto as problemáticas, os anseios e as angústias da nossa classe. Mais do que certezas absolutas, este percurso confere-me a consciência da responsabilidade necessária para contribuir, com firmeza e ponderação, para o futuro da nossa profissão.

Na verdade, a história da nossa instituição alicerça-se, antes e acima de tudo, em rostos e vidas: nos nomes que a memória imortalizou nos anais e na legião silenciosa daqueles que, nos bastidores da história, entregaram o melhor de si à edificação deste património de imensurável valor. É no seu trabalho que reside a verdadeira substância de uma epopeia que perpassa gerações. Desde o decreto instituidor de 12 de junho de 1926 e da instalação do primeiro Conselho Distrital de Coimbra, a 9 de julho de 1927, desenhou-se uma cartografia de saber e entrega, tão densa quanto luminosa. Volvido quase um século, a minha investidura, em 24 de janeiro de 2023, como a primeira mulher a presidir a este Conselho Regional, encerra em si um simbolismo que transcende a minha biografia.

Entendo este marco, acima de tudo, como um tributo. É, acima de tudo, uma homenagem devida a todas as ilustres Advogadas da área de circunscrição territorial do Conselho Regional de Coimbra (antes, Conselho Distrital), inscritas ao longo dos anos, que, pelo mérito indiscutível, pelo saber jurídico e pela retidão ética que demonstraram ao longo das décadas, teriam a mesma legitimidade para ascender a este cargo. Se as circunstâncias de então, por uma ou outra razão, não o permitiram, a minha presença aqui hoje é o eco do trabalho e da dignidade de todas elas.

Assumo, por isso, esta função com a humildade de quem sabe que não caminha sozinha, mas sim apoiada no legado de tantas mulheres que honraram esta profissão. Num mundo globalmente complexo, onde os desafios são crescentes, a minha forma de estar e decidir pauta-se pela convicção de que não é o género que define a competência, mas a abnegação, a humildade e a disponibilidade constante para evoluir no exercício do cargo. A liderança feminina não se afirma, assim, pela rutura, mas pela capacidade de integrar a memória institucional com a sensibilidade necessária para humanizar o Direito, transformando a autoridade em serviço e a técnica em Justiça de rosto humano.

Nesta longa e desafiante jornada, a Ordem dos Advogados concedeu-me aquele que considero ser um dos meus mais valiosos e imperecíveis tesouros: a construção de amizades ímpares, forjadas no calor do debate e na partilha de ideais. Tenho o privilégio e a extraordinária circunstância de me ter cruzado e de partilhar o exercício de funções e, hoje, o quotidiano deste Conselho com algumas das pessoas mais excecionais que a vida me deu a conhecer – seres humanos de uma integridade e brilho singulares, que transmutam o peso da responsabilidade na leveza da entreajuda.

É nesta comunhão de vontades, onde o rigor técnico nunca prescinde do afeto, que encontro o alento para encarar cada desafio com o sorriso de quem sabe que o caminho, por mais complexo que se apresente, é sempre mais luminoso quando percorrido entre pessoas de eleição.

Alexandra Bordalo

Presidente do Conselho de Deontologia de Lisboa

Após um primeiro triénio como vogal, aceitei o desafio do Dr. Paulo Graça para concorrer com ele e ser um dos seus Vices. A candidatura a Presidente surgiu naturalmente, a vontade de querer fazer, o saber fazer e a necessidade de o fazer. Sendo certo que, jamais pensei concorrer a um desafio de popularidade e muito menos ganhá-lo! Eventualmente, e porque este não é um órgão muito benquisto, os fatores anularam-se e aqui estou.

Estou como Presidente do Conselho de Deontologia de Lisboa (CDL), desde 2020. Têm sido tempos desafiantes. Desde a aparente estagnação da pandemia, a falta de meios, o aumento exponencial das participações, sempre, sempre, uma luta.

Não é fácil não termos no seio da justiça disciplinar os meios a que estamos habituados no nosso trabalho como Advogados. Nomeadamente, o acesso a plataformas, a tramitação eletrónica, enfim…

No entanto, e apesar das dificuldades tem sido um desafio e um gosto permanente, trabalhar pela diminuição da pendência, a celeridade dos processos e uma melhor resposta, seja para arquivar, seja para punir.

Enquanto Advogada, completo este ano 32 anos de licenciatura na Faculdade de Direito de Lisboa e 30 de inscrição na Ordem dos Advogados. E, sem dúvida, o tempo passou a correr! Tive a oportunidade de trabalhar sob diversas formas e de ter experiências muito diversas. De todas trago exemplos que adotei para melhor trabalhar, melhor organizar, enfim fui guardando os processos de melhoria continua e aprendi sempre, umas pelo exemplo e outras a contrário.

É engraçado pensar no tempo e nas mudanças que o tempo trouxe. Posso dizer que passei do tempo do fax até às 17h00h e envio postal até à meia-noite, ao tempo em que os advogados passaram a notificar-se uns aos outros, ao uso habitual do mail, ao Sitaf e Citius, à assinatura eletrónica. Do fim dos duplicados e das fotocópias, às notificações do DCIAP em CD-ROM. Uma vida!

Pese embora, na verdade, lidarmos agora com atrasos na justiça equivalentes aos dos anos 90 quando iniciei! Esperar anos por um despacho, pelo seu cumprimento. Processos parados sem qualquer movimento. Processos urgentes que nem em férias mexem.

Quanto a exercer o cargo com uma forma de estar, de decidir, diferente, a resposta a esta questão tem de ser encontrada junto de quem trabalha ou trabalhou comigo no CDL nestes últimos anos. Sei que sou exigente, um bocadinho hiperativa e que ponho tudo num rebuliço!

Posto isto, e com os meios que os conselhos de Deontologia têm, penso que o rigor, o conhecimento e a criação de procedimentos que permitam garantir o controle dos processos, dos prazos, das fases da tramitação, são essenciais para o sucesso da Justiça disciplinar e para o incremento da deontologia profissional.

Tendo pessoas competentes, dedicadas e trabalhadoras no órgão e nos serviços, é possível ter-se um bom desempenho coletivo, mesmo com meios ultrapassados. Essa tem sido a minha sorte, ter bons elementos, o que permite ter uma boa equipa e produzir um bom trabalho.

Filipa Nepomuceno

Presidente do Conselho de Deontologia da Madeira

O exercício de funções na Ordem dos Advogados sempre representou, para mim, uma forma de serviço à profissão e à comunidade jurídica. A minha candidatura inicial surgiu de um sentido de responsabilidade e de participação ativa na defesa dos valores da Advocacia, num momento em que senti que poderia contribuir, de forma útil, para o fortalecimento institucional da Ordem.

Ao longo do meu percurso, um triénio como Vogal, seguido de um triénio como Vice-Presidente e, atualmente, como Presidente do Conselho de Deontologia da Madeira, fui consolidando uma experiência que me permitiu compreender, de forma mais profunda, as exigências da função, a complexidade das decisões e a importância de uma atuação pautada pelo rigor, independência e sentido ético.

Paralelamente, o exercício da Advocacia ao longo de cerca de 26 anos, tem sido determinante na forma como encaro estas responsabilidades. A prática diária, o contacto direto com os clientes, com os tribunais e com os desafios concretos da profissão conferem uma perspetiva realista e humanizada, que considero essencial no desempenho de funções institucionais, especialmente numa área tão sensível como a deontologia.

Enquanto mulher, reconheço também que o percurso na Advocacia e em cargos institucionais implica, muitas vezes, um esforço acrescido de afirmação e de equilíbrio entre diferentes exigências. Ainda assim, acredito que essa experiência contribui para uma liderança mais próxima, mais atenta e mais sensível às realidades humanas que estão subjacentes ao exercício da profissão.

Acredito que a minha experiência contribuiu para uma forma de estar e de decidir assente na ponderação, na escuta ativa e no respeito pelos princípios fundamentais da profissão. Procuro decidir com equilíbrio, consciente do impacto que cada decisão pode ter na vida profissional dos Colegas e na credibilidade da Ordem, sem nunca perder de vista os valores que devem nortear a Advocacia.

Se essa trajetória imprimiu uma marca própria, diria que ela se traduz numa liderança serena, mas firme, próxima dos Colegas, e orientada por um compromisso claro com a dignidade da profissão, a ética e a Justiça.

Nélia Vaz

Presidente do Conselho de Deontologia dos Açores

Enquanto dirigente do Conselho de Deontologia dos Açores (CDA), e nas circunstâncias atuais, no âmbito do foro interno do órgão, tenho pugnado por fazer a melhor transição para o novo regime de funcionamento dos conselhos de Deontologia ao abrigo das novas composições impostas pela última alteração ao Estatuto da Ordem dos Advogados operada pela Lei n.º 6/2024, de 19 de Fevereiro, que instituiu a integração de membros não inscritos na Ordem e consequentemente nos conselhos de Deontologia.

Neste particular, o desafio consiste em harmonizar perspetivas e entendimentos entre os relatores eleitos, inscritos e não inscritos, e colher os contributos de todos de molde que o órgão possa deliberar em conformidade às regras deontológicas, com transparência, bom senso e equidade. Acima de tudo, pretende-se elevar o bom nome da classe, dignificando a Advocacia e todos as ilustres Advogadas e advogados que deram contributos de incomensurável qualidade ao longo da existência, já quase centenária, da Ordem dos Advogados.

No que concerne ao foro externo do CDA, tenho envidado os melhores esforços por trabalhar em conjunto e de forma consertada com os restantes conselhos de Deontologia no sentido de lograrmos a uniformização de procedimentos, contribuir para a discussão, revisão e contínua melhoria das normas estatutárias, mormente as de natureza deontológica e procedimentais, bem como contribuir para um salutar diálogo entre os diversos órgãos da Ordem dos Advogados e demais entidades que com esta se relacionam.

Os conselhos de Deontologia têm uma importância enorme e uma responsabilidade hercúlea pois têm que se ‘despir’ de um conceito intrinsecamente corporativista, pugnar pelo respeito das normas deontológicas que conferem credibilidade, respeitabilidade e dignidade à classe profissional, isto sem prejudicar os interesses dos cidadãos, nem tão pouco conduzir perseguições injustificadas a Colegas, trazendo um necessário equilíbrio entre todos esses parâmetros para que a Justiça possa prevalecer.

O que me motivou a candidatar-me foi uma série de preocupações relativamente ao estado atual da Advocacia e da Justiça em Portugal. Nos últimos anos a Advocacia tem estado sob um verdadeiro ataque, e não há outra forma de dizê-lo, por via de sucessivas alterações legislativas – ineficazes, impulsivas, impensadas e não verdadeiramente isentas – bem como por via de pressão mediática dos órgãos de comunicação e redes sociais relativamente à prestação da classe profissional em determinados processos mais mediáticos – de forma injusta, impõe-se referir. Também outras circunstâncias de ordem tecnológica, tal como a Inteligência Artificial, tem vindo a impactar a nossa atividade profissional que, na verdade, implica a adoção de novas competências e redobrados cuidados éticos e deontológicos.

Todas estas circunstâncias, entre muitas outras, têm contribuído para que a Advocacia se encontre presentemente, e no meu entender, mais fragilizada. De entre todas as circunstâncias o que mais me arrepiaram foram as alterações mais recentes ao Estatuto da Ordem dos Advogados, quer na integração de elementos não inscritos nos órgãos da Ordem dos Advogados, supervisão externa à atividade da Ordem, a eliminação da norma quanto às regras da publicidade, o esvaziamento do ato próprio do advogado, a ausência de revisão adequada às normas processuais do processo disciplinar e as alterações às regras do estágio profissional. Estas alterações, com alguns aspetos positivos e não só negativos, reconhece-se, a serem implementadas, deveriam tê-lo sido de uma forma mais adequada e ajustada à realidade da atividade da nossa classe profissional.

De modo que, perante este cenário, coloquei-me a seguinte questão: como poderei dar algum contributo que possa melhorar as atuais circunstâncias aqui mencionadas? A reflexão que se me impôs foi: a solução consiste em contrariar esta tendência e pugnar pela pureza das normas, tomar a defesa dos princípios e ser exemplo. Contribuir de alguma forma. Sensibilizar para a importância do escrupuloso cumprimento das regras deontológicas, as “leges artis” que representam a essência do que é ser Advogado. A Deontologia visa proteger a Advocacia, os advogados, os cidadãos e tem por fim último servir a Justiça.

E é por isso que tenho por profunda convicção que a Deontologia é o verdadeiro escudo da Advocacia e só com o cumprimento das regras deontológicas em toda a sua extensão lograremos dignificar a profissão, unir a classe e melhorar as nossas condições pessoais e profissionais.

Foi este o mote que me levou ao CDA. A minha experiência no cargo é recente pois é o meu primeiro mandato como presidente do Conselho de Deontologia dos Açores. No mandato anterior era Vogal, e no exercício dessas funções fui ganhando competências, reunindo reflexões, ganhando perspetiva.

O CDA tem uma composição maioritariamente nova, pois só dois membros do mandato anterior se mantiveram. Esta circunstância traz desafios, não só pela necessária adequação que se impõe a todos os membros, inscritos e não inscritos, às respetivas funções, bem como a adequação às novas normas vigentes e, cumpre dizer, à exiguidade de recursos deste órgão, que o Conselho Regional dos Açores tudo tem feito, dentro das suas contingências orçamentais e outras, para colmatar.

O timbre tem sido o da solidariedade entre os membros do órgão, o respeito interinstitucional entre os vários órgãos da Ordem, a preocupação em fazer valer o cumprimento das regras, em toda a linha, com o máximo de rigor e transparência, dentro daquela que é a nossa realidade arquipelágica. Nunca é demais mencionar estas circunstâncias, pois cada Comarca tem as suas especificidades e estas refletem-se necessariamente no exercício da atividade deste Conselho de Deontologia.

Como Advogada já de longa data, mantenho o registo que sempre tive: atitude conciliadora, abertura ao diálogo, cumprimento de regras, empenho na defesa das causas que me são entregues, respeito e dignidade mútuo entre advogado e cliente e toda a comunidade, amor à profissão que abracei em exclusivo.

Não creio que o facto de ser mulher tenha levado, necessariamente, a uma diferente forma de estar ou de decidir. Por um lado, a questão de género não se coloca, porquanto o CDA era presidido por uma Presidente, a minha antecessora, com quem muito aprendi e que me apoiou a seguir com a minha candidatura, o que naturalmente implica que o trabalho desenvolvido anteriormente, de certa forma, continua.

Porém, o que poderá distinguir a atuação do presente CDA é o seu funcionamento ao abrigo das normas estatuárias vigentes no que se refere à respetiva composição, (com integração de membros não inscritos como já referido supra) e supervisão por órgãos tais como o Conselho de Supervisão e o Provedor dos Destinatários dos Serviços.

Tais alterações impactam consideravelmente a atuação dos conselhos de Deontologia e do CDA em particular – cujas características geográficas arquipelágicas e universo de potenciais candidatos que possam cumprir com os requisitos do art.º.56 do Estatuto da Ordem dos Advogados é muito reduzido e dificilíssimo de alcançar – trazendo constrangimentos de variada ordem ao normal funcionamento do órgão. Porém, no que é essencial, o cumprimento criterioso das normas deontológicas, continua a ditar o modo de atuação do presente CDA.

Joana Freitas Santos 

Presidente da Delegação de Aveiro

O meu percurso na Delegação de Aveiro da Ordem dos Advogados iniciou-se em 2017, ano em que assumi funções como Vogal-Secretária, que mantive até 2023. Desempenhei este cargo com um profundo sentido de responsabilidade e honra, desde logo porque esta Delegação tem competências delegadas pelo Conselho Regional de Coimbra, designadamente quanto aos procedimentos relativos à organização e funcionamento do sistema de acesso ao direito e aos tribunais, nos municípios de Albergaria-a-Velha, Águeda, Anadia, Aveiro, Ílhavo, Mealhada, Oliveira do Bairro, Sever do Vouga e Vagos.

A Delegação de Aveiro contou sempre com Presidentes e Vogais que dignificaram e prestigiaram a classe, constituindo exemplos de dedicação, competência e profissionalismo, que elevaram, de forma indelével, a qualidade do trabalho desenvolvido. Durante estes anos aprendi, através do exemplo, da partilha e do constante incentivo, muito mais do que poderia antecipar.

Sempre encarei a Advocacia como uma profissão com uma função social essencial. Este contacto direto com a realidade institucional permitiu-me desenvolver uma perceção ainda mais aprofundada das exigências com que diariamente os advogados são confrontados.

Em 2025, e após um mandato em que não integrei qualquer cargo, movida pela vontade de dar continuidade ao trabalho desenvolvido, decidi candidatar-me a Presidente da Delegação. Esta decisão resultou não só da experiência acumulada, mas também da convicção de que poderia contribuir com o meu conhecimento técnico e proximidade com os Colegas.

Esta Delegação é reconhecida como uma referência de grande importância entre os Colegas, e bastante acolhida por todos, o que constitui uma razão acrescida para me sentir honrada por ter sido eleita e, sobretudo, por estar em funções num ano tão significativo como o do centenário da Ordem dos Advogados.

Enquanto Presidente, a minha experiência tem sido facilitada pela dedicação e empenho dos demais Colegas Vogais que, pela capacidade de diálogo e pela procura constante de soluções equilibradas em face dos desafios que se colocam diariamente, a par com a funcionária em funções, desempenham de forma exímia o seu trabalho.

Esta experiência institucional tem-se revelado uma oportunidade ímpar de crescimento pessoal e profissional. Encontro-me inscrita como Advogada desde o ano de 2011 e, ao longo destes anos, fui Vogal da Comissão Regional de Defesa dos Atos Próprios da Advocacia e Relatora Adjunta no Conselho de Deontologia do Conselho Regional de Coimbra.

Servir a Ordem dos Advogados constituiu, desde sempre, uma elevada honra e um inestimável privilégio, dignificando-me profundamente enquanto profissional e cidadã. Com 42 anos, olho para o meu percurso com um misto de sentido de missão, responsabilidade e evolução pessoal, o que tem sido uma extensão da minha identidade profissional, e é com esse espírito que continuo a acreditar que é possível contribuir, de forma concreta, para uma profissão mais justa, mais valorizada e mais coesa.

Ilídia Mendes

Presidente da Delegação de Barcelos

Enquanto Presidente da Delegação de Barcelos da Ordem dos Advogados, sinto-me profundamente honrada por representar as Advogadas e os advogados da nossa comarca — uma comarca marcada pelo bom ambiente entre Colegas, onde imperam o respeito, a urbanidade e a solidariedade.

Quando me candidatei à Presidência, fi-lo com o propósito de dar continuidade ao trabalho que estava em curso. O nosso mandato anterior tinha sido interrompido pela convocação de eleições antecipadas, deixando projetos importantes por concluir. A decisão de me recandidatar assentou, por isso, na vontade de levar esses projetos até ao fim e de assegurar a estabilidade e desenvolvimento da Delegação.

O exercício deste cargo é, por vezes, exigente. Sou mãe de dois adolescentes, esposa, e tenho um escritório para gerir, clientes para acompanhar e prazos para cumprir — tudo isto enquanto assumo também as responsabilidades da Delegação. Ainda assim, a gratificação surge sempre que organizamos um evento, conferência, jornadas ou encontro e vemos a adesão dos Colegas. Nesses momentos, sentimos que estamos no caminho certo e que o nosso trabalho está a dar frutos.

Num quotidiano tão acelerado e exigente, a convivência entre Colegas, a troca de opiniões e o partilhar de dúvidas são fundamentais. É muito gratificante, enquanto Delegação, proporcionar esses momentos e ver que os Colegas comparecem e valorizam esse espírito de união.

Quanto às decisões, cada pessoa tem a sua forma de ver e ponderar as situações. No meu caso, o que me guia é sempre o que considero ser melhor para os Colegas e para a melhoria das condições de exercício da nossa profissão, já de si tão exigente. Como mulher, reconheço que trago uma sensibilidade particular para determinados temas, com uma abordagem mais empática, inclusiva e orientada para a colaboração.

Realizamos reuniões mensais com a equipa da Delegação, nas quais valorizo a diversidade de opiniões, a comunicação aberta e a atenção às necessidades de cada elemento. Acredito que esta forma de trabalhar reforça a motivação, fortalece o espírito de equipa e contribui para o bom ambiente que caracteriza a nossa Delegação.

Ana Moreira

 Presidente da Delegação de Condeixa-a-Nova

Ao longo do meu percurso na Ordem dos Advogados, encarei sempre o exercício de cargos institucionais como uma forma de serviço à classe e de compromisso com os Colegas. Sou Advogada desde 1993, tendo realizado o meu estágio com o Ilustre Advogado Dr. Rodrigo Santiago, referência que guardo com gratidão e respeito, e que marcou profundamente a forma como passei a olhar a Advocacia, com sentido de responsabilidade, rigor e dignidade profissional. Fui eleita Presidente da Delegação de Condeixa-a-Nova da Ordem dos Advogados em 2008, assumindo essas funções com proximidade, disponibilidade e profundo sentido de dever.

O que levou a candidatar-me foi, antes de mais, a convicção de que a Ordem também se constrói a partir das Delegações, no contacto direto com os advogados e com a realidade concreta de cada comarca. Entendi que podia dar o meu contributo, acompanhando de perto as preocupações dos Colegas, colaborando na procura de respostas e ajudando a afirmar a Delegação como expressão próxima da Ordem no plano local.

A experiência no cargo tem sido profundamente enriquecedora, embora exigente. Ao contrário de outras funções exercidas em estruturas mais distantes, a presidência de uma Delegação de comarca tem uma relação de maior proximidade com os advogados, com as instituições e com as próprias pessoas da comunidade em que se insere. Essa proximidade confere a este cargo uma dimensão particularmente humana, porque nos coloca perante as dificuldades concretas, as preocupações reais e o quotidiano da Advocacia na comarca.

Também a minha experiência como Advogada, construída ao longo de mais de três décadas de profissão, me deu uma consciência ainda mais clara da importância de uma Ordem próxima, representativa e atenta. O exercício da Advocacia ensina-nos, todos os dias, a importância da escuta, da firmeza, da independência e do sentido de Justiça. Ensina-nos também a compreender melhor as dificuldades dos Colegas, a exigência da profissão e a necessidade de preservar, em todos os momentos, a dignidade da Advocacia.

É também por isso que entendo que as Delegações têm um papel essencial na vida da Ordem. São, muitas vezes, o seu rosto mais próximo junto dos advogados de cada comarca, assegurando a sua representação, reforçando o sentimento de pertença à instituição e permitindo que a voz dos Colegas seja ouvida de forma mais imediata e mais clara. As Delegações são, nesse sentido, estruturas fundamentais de ligação entre a Ordem e os advogados no terreno.

Enquanto mulher, considero que trouxe ao exercício destas funções uma forma própria de estar, assente na escuta, na proximidade, na mediação e na atenção à dimensão humana dos problemas, sem nunca perder a objetividade, o rigor e a firmeza que o cargo exige. Não por ser mulher se decide de forma diferente em tudo, mas porque a experiência feminina pode também traduzir-se numa especial sensibilidade para construir soluções com equilíbrio, diálogo e sentido de Justiça.

Em 2022, optei por não me recandidatar, tendo sido então nomeada pelo Conselho Regional de Coimbra uma Delegada. Em 2025, decidi voltar a candidatar-me para o triénio 2025/2027, por entender que ainda podia continuar a ser útil, colocando a minha experiência ao serviço da Delegação e dos Colegas.

Se alguma marca deixei neste percurso, gostaria que fosse também essa: a de uma mulher, Advogada e dirigente da Ordem, que procurou sempre exercer as suas funções com dedicação, equilíbrio, sentido de Justiça e verdadeira proximidade aos Colegas.

Rosa Maria Ferreira 

Presidente da Delegação de Paços de Ferreira

Assumi as funções de Presidente da Delegação de Paços de Ferreira da Ordem dos Advogados em 2020, por sentir um profundo dever de responsabilidade para com a Advocacia e a defesa da dignidade da classe. Além de que, a Delegação de Paços de Ferreira tem competência delegada em matéria de apoio judiciário, um trabalho que reconheço como meritório e essencial ao equilíbrio da realização da Justiça no nosso país.

Para mim, a Ordem não pode ser só um órgão que regula à distância. Tem de estar no terreno, próxima dos advogados, a apoiar a sua atividade, e, também, das pessoas que dependem do sistema para ter acesso à Justiça. E foi exatamente essa distância – entre quem decide e quem executa – que me levou a avançar com a candidatura e a abraçar esta função com profunda dedicação e extremo regozijo.

Não foi uma decisão tomada de ânimo leve. Já tinha visto por dentro as falhas: processos que se arrastam, decisões que não acompanham a realidade, Colegas sobrecarregados e, muitas vezes, desvalorizados no âmbito do apoio judiciário. Chega a um ponto em que, ou se aceita isso como normal, ou se tenta mudar alguma coisa. Escolhi a última.

A experiência no cargo tem sido exigente. Há dias em que é ingrato, sem rodeios. Estamos constantemente a lidar com expectativas legítimas do lado dos Colegas e dos cidadãos. E muitas vezes não há soluções perfeitas, só decisões possíveis.

Trago comigo a prática da Advocacia, e isso faz diferença. Sei bem o que é trabalhar com prazos apertados, com processos acumulados e com a sensação de que o esforço nem sempre é devidamente reconhecido. E isso impede-me de olhar para os processos de forma meramente administrativa.

Desde que assumi funções, tentei mudar algumas coisas básicas: reajustar procedimentos, tomar decisões claras e regulares, reduzir tempos de resposta onde é possível e, acima de tudo, não empurrar problemas para a frente.

Se considero que houve melhorias? Sim. Mas, a bem da verdade, sei que são limitadas. Hoje há mais previsibilidade nas decisões e mais abertura ao diálogo com os Colegas e com os cidadãos. Mas não vale a pena fingir que está tudo resolvido. Não está, nem perto disso. As regras de vivência em sociedade estão em constante mudança e, portanto, o que se impõe a qualquer Advogado e titular de um órgão é que estejam constantemente atualizados e atentos. E esse é sem dúvida o espírito com que abraço ambas as missões.

Olga Melo 

Presidente da Delegação de Santa Maria da Feira

Enquanto dirigente da Ordem dos Advogados, e enquanto mulher Advogada, não posso deixar de sublinhar que o exercício de cargos de responsabilidade continua a ser, para muitas de nós, um percurso marcado por exigências acrescidas, invisibilidades persistentes e preconceitos que, apesar dos avanços alcançados, ainda subsistem de forma mais ou menos velada na sociedade e nas instituições.

O que motivou a minha candidatura foi, em grande medida, a consciência de que as Advogadas continuam a ter de trabalhar mais, provar mais e justificar mais, para verem o seu mérito reconhecido em condições de verdadeira igualdade.

Entendi que era meu dever contribuir para que a Ordem se afirmasse como espaço em que o talento, a competência técnica e a integridade prevalecessem sobre quaisquer estereótipos de género, e assim podendo abrir caminho a que outras Colegas possam ocupar lugares de decisão.

A experiência no cargo permitiu-me constatar, com nitidez, a multiplicidade de tarefas que diariamente recaem sobre as mulheres Advogadas: conciliar o exercício de uma profissão altamente exigente com responsabilidades familiares, pessoais e institucionais, num contexto em que muitas vezes ainda se espera que a mulher assuma, quase de forma inexorável, um papel acrescido na esfera privada. Essa realidade torna a sua resiliência particularmente significativa e merece ser reconhecida e valorizada.

Como Advogada, conheço por dentro estas dificuldades: a necessidade de disponibilidade permanente, a pressão para corresponder a padrões de excelência, a exigência de presença ativa na vida familiar e a expectativa social de que a mulher “dê conta” de todas essas dimensões sem falhas. É nesta encruzilhada que a resiliência das mulheres se afirma – na forma serena, mas firme, como respondem a preconceitos subtis, a dúvidas infundadas sobre a sua capacidade de liderança ou de tomada de decisão.

Procurei imprimir ao exercício do cargo uma forma de estar e de decidir atenta a esta realidade, promovendo uma Ordem mais inclusiva, empenhada em remover obstáculos estruturais à plena afirmação das Advogadas. Isso traduz-se numa cultura que valoriza a participação das mulheres em todas as esferas da Advocacia – da prática forense de proximidade ao grande contencioso, da academia aos órgãos nacionais – reconhecendo que o seu contributo é essencial para a credibilização da Justiça e para a defesa efetiva dos direitos fundamentais.

O papel das mulheres na Advocacia é, hoje, incontornável: ocupam um lugar central na representação de cidadãos, muitas vezes vulneráveis, na defesa de causas sensíveis, na construção de soluções jurídicas inovadoras e na humanização da relação entre o sistema de Justiça e a sociedade. A sua presença nos centros de decisão não é um favor; é uma exigência de legitimidade democrática, de qualidade institucional e de verdadeira efetividade do Estado de direito.

Que possamos, com serenidade e determinação, continuar a afirmar que o lugar das mulheres na Advocacia é um lugar de pleno direito, de mérito, contribuindo, com a nossa voz e a nossa ação, para uma profissão mais justa, mais plural e mais humana.

Alexandra Martins

 

Presidente da Delegação de Sintra

A Advocacia como Missão

Ser Presidente da Delegação de Sintra da Ordem da Ordem dos Advogados não é, para mim, um título ou uma etapa de currículo; é um compromisso de entrega que nasce de uma vivência profunda da nossa profissão e, bem assim, da que já tive noutros cargos na nossa Ordem. Quando olho para o percurso que me trouxe até aqui, afirmo, sem sombra de dúvida, que a minha candidatura não foi uma escolha de ambição, mas uma resposta a um apelo ético: o de que não podemos apenas habitar as instituições, temos de as humanizar. O que me moveu foi a urgência de dar voz às angústias que eu própria sentia no quotidiano.

Candidatei-me porque acredito que a Ordem deve ser o porto de abrigo de quem está na primeira linha da defesa dos direitos, liberdades e garantias. A minha experiência no cargo tem sido, por isso, um exercício constante de equilíbrio e humildade. É um desafio que exige a frieza da decisão jurídica e o calor da empatia por cada Colega que nos bate à porta, e que já experienciei durante este primeiro ano de mandato.

Esta visão é indissociável da minha identidade enquanto Advogada. Não deixei de estar no terreno para ser Presidente da Delegação; sou Presidente porque efetivamente estou no terreno. É a minha experiência nas salas de audiência, na gestão das expectativas dos clientes e na lide diária com a máquina da Justiça que me dá a legitimidade para decidir.

Conheço o peso da toga e a solidão de certas batalhas, os dissabores das decisões injustas e as amarguras da incapacidade da Lei para, amiúde, realizar a ansiada Justiça e é essa memória que levo para cada reunião da Delegação, louvando necessariamente os membros que comigo compõem a equipa e os quais, indubitavelmente, partilham os sentimentos suprarreferidos e merecem a minha confiança. Sinto, com serenidade, que imprimimos uma nova forma de estar na Delegação.

Decidir, para mim, nunca foi um ato de isolamento ou de mera burocracia. Procurei substituir a distância pelo diálogo e a rigidez pelo pragmatismo. Acredito numa Ordem de portas abertas, onde a autoridade se conquista pela proximidade e a liderança se valida pela utilidade pois ser Presidente não é ocupar um lugar de destaque, é assumir um lugar de serviço.

Esta é a premissa que guia cada passo, meu e da minha equipa. Porque, no final do dia, o sucesso do meu/nosso mandato não se mede pelos protocolos assinados, mas pela confiança que cada advogado volta a depositar na sua Casa.

Sara Coelho Machado

Presidente da Delegação de Vila Franca de Xira

Sou atualmente Presidente da Delegação de Vila Franca de Xira da Ordem dos Advogados, tendo exercido funções de Tesoureira no mandato anterior. Fui convidada pela Dra. Renata Costa no mandato em que a mesma foi Presidente e acabei por encabeçar uma lista para este mandato, com outros membros que também já pertenciam à lista.

Se, por um lado, me candidatei numa lógica de continuidade do trabalho já anteriormente prestado, por outro também o fiz por entender que um Advogado tem como principal missão prestar auxílio à sua Comunidade, onde é necessário estreitar laços e criar uma relação de proximidade com as entidades comunitárias e bem assim, com a própria população.

À semelhança de outros Colegas, sabia obviamente da existência das Delegações, até por via do nosso estatuto, mas desconhecia a sua efetiva função e importância junto das Comarcas onde se inserem e enquanto linha da frente na resposta às questões da comunidade.

Enquanto Advogada e enquanto pessoa, dou primazia às relações pessoais, privilegiando um contacto mais informal com todas as entidades, uma vez que, da minha experiência, a informalidade acaba por ter mais impacto na obtenção de melhores resultados.

Atendendo ao cargo que exerço na Ordem e enquanto representante dos cerca de 200 Advogados a que a Delegação de Vila Franca de Xira dá resposta, é-me concedida uma legitimidade diferente da que resulta de ser Advogada.

Enquanto Presidente, é-me possível reunir com as instituições locais por forma a criar pontes de contacto para resolução de problemas da Comunidade.

É-me possível perceber que os cargos são efémeros e o que conta é aquilo que se faz enquanto os exercemos, de forma a deixar um legado de trabalho em prole dos nossos representados.

Defendo que o Advogado deve ser em primeiro e em último legar um humanista, pois o nosso trabalho é servir pessoas de forma a poder mudar a sua vida.

É certo que as pessoas tendencialmente recorrem aos Advogados quando o problema já existe, mas fruto deste estreitar de relações é possível incutir no poder político e demais instituições que a Advocacia deve ser acima de tudo preventiva, o que se obtém com protocolos e parcerias.

Ser Advogada e ter a formação que tenho permite-me ter legitimidade não para decidir pelos outros, mas para poder mostrar vários caminhos para uma tomada de decisão consciente e informada.

Ser Presidente permite-me fazê-lo com maior segurança e legitimidade.

Ana Evangelista e Sá

 Presidente da Delegação de Vila do Porto, Açores

Ilustres Colegas: diretamente das ilhas de Bruma deixo-vos o meu testemunho. Exerço a Advocacia na ilha de Santa Maria, desde 2009, e sou delegada da Ordem de Advogados, nesta ilha, desde 2020, ano em que recebi o meu primeiro e honroso convite da Ilustre e Digníssima Srª. Presidente do Conselho Regional dos Açores, Dra. Rosa Ponte, para desempenhar tal nobre função que ainda hoje exerço, a convite do referido Conselho Regional.

Encontrando-se o Juízo de Competência Genérica de Vila do Porto inserido na Comarca dos Açores e sendo Santa Maria uma ilha de pequena dimensão, a Advocacia ainda é o que era, ou seja, o contacto pessoal com os Colegas é primordial e essencial no dia a dia, sendo que a maior parte dos problemas inerentes ao exercício da profissão são discutidos cara a cara e as preocupações ou reclamações dos Colegas relacionados com a Advocacia são, habitualmente, transmitidos pessoalmente à delegada da Ordem dos Advogados.

A presença feminina predomina nesta ilha pois a maioria dos Colegas de profissão são mulheres, o que, pessoalmente, considero uma mais valia do ponto de vista social, pois de certa forma estimula as jovens marienses a prosseguirem os estudos e concluírem um curso superior.

 

 

 

 

 

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