Os eurodeputados pedem melhor coordenação ao nível da UE para proteger os cidadãos e as democracias no ambiente digital, em virtude da natureza global e transfronteiriça deste meio. Numa resolução aprovada no passado dia 07, os membros do Parlamento Europeu afirmam que a literacia mediática e a aprendizagem digital são competências básicas para todos os cidadãos e devem, por conseguinte, ser promovidas ao longo de todo o percurso educativo e no local de trabalho, numa estratégia abrangente de aprendizagem ao longo da vida e que inclua toda a sociedade.
Para os deputados, a literacia mediática e a aprendizagem digital são cruciais para capacitar os cidadãos para uma navegação mais segura através do ambiente digital, permitindo-lhes identificar a desinformação, a manipulação da informação e a ingerência por parte de agentes estrangeiros, o ciberassédio e outras formas de danos em linha.
Por isso, decidiram incentivar a cooperação entre organizações públicas e privadas para promover a literacia mediática em toda a UE, assegurando que a utilização de ferramentas de aprendizagem digital na educação não esteja sujeita a influências comerciais indevidas e que a cooperação com o setor privado seja orientada pelo interesse público.
Para os eurodeputados, as políticas de literacia mediática devem capacitar as pessoas de todas as idades para compreenderem de que forma a conceção de plataformas pode contribuir para a sua compreensão da informação, refere o documento o Parlamento, que almeja que os cidadãos sejam capazes de reconhecer a conceção que cria dependência e os conteúdos emocionalmente manipuladores. Os programas de literacia mediática e de aprendizagem digital podem também ajudar os utilizadores a distinguir entre conteúdos editoriais, comerciais e sintéticos, a identificar técnicas persuasivas e a reconhecer conteúdos gerados pela inteligência artificial.
Os eurodeputados consideram ainda que são necessárias novas medidas para proteger os menores que utilizam plataformas de partilha de vídeos e que estas podem ser incluídas no âmbito da revisão da Diretiva Serviços de Comunicação Social Audiovisual. Também querem que os influenciadores e os criadores de conteúdos estejam sujeitos às regras aplicáveis aos conteúdos dos meios de comunicação social, com códigos de conduta e orientações claras, devido ao “seu papel significativo na definição dos padrões de consumo de informação, em especial entre os jovens”.
De acordo com a Comissão Europeia, 97 % dos jovens na UE utilizam diariamente a Internet e as plataformas de redes sociais estão a tornar-se a principal fonte de informação para os jovens com idades compreendidas entre os 15 e os 24 anos. Existem diferenças significativas entre as abordagens dos países da UE em matéria de literacia mediática e aprendizagem digital, no que diz respeito à integração em termos de currículos escolares, ao nível de apoio financeiro às ações e às autoridades ou organismos competentes envolvidos, uma vez que as políticas de educação são da competência nacional.


