Chegou o momento da mudança. Num país onde cada cidadão deveria conhecer os seus direitos como conhece o próprio nome, onde cada empresa deveria operar na certeza da legalidade, onde cada família deveria encontrar na Justiça não um labirinto, mas um caminho claro – a Ordem dos Advogados tem uma missão inadiável.
Assistimos ao divórcio entre a Ordem e os seus Advogados. Criaram-se muros onde deviam existir pontes. Alimentaram-se divisões onde urgia união. Mas os tempos mudaram e com eles a nossa determinação: devolver a Ordem aos Advogados não é uma promessa – é um compromisso que começou no primeiro dia deste mandato.
Cem anos de Advocacia portuguesa, que celebraremos no próximo ano, são cem anos a não abandonar o cidadão – nunca. Um século de resistência, de defesa dos direitos fundamentais, de presença nos momentos mais difíceis da nossa História. Se há lição que este centenário nos ensina é que ser Advogado é não desistir – não desistir da Justiça, não desistir do cliente, não desistir da verdade. E não desistiremos agora de transformar a nossa Ordem.
O programa que apresentámos nas eleições assenta em quatro pilares fundamentais: Dignificar, Defender, Dotar e Desafiar. Cada um representa uma frente de batalha pela transformação da Advocacia portuguesa. Dignificar a profissão perante a sociedade e o poder político, defendendo o papel essencial do Advogado na democracia. Defender todos os Advogados, sem divisões nem exclusões, acabando com a lógica de luta de classes dentro da nossa profissão.
Dotar os profissionais com as ferramentas do século XXI através do inovador Programa Advogado 360⁰ – uma rede integrada que pretende oferecer desde formação em gestão até soluções de inteligência artificial.
A proximidade é o nosso método e a nossa marca. Nunca mais haverá um Advogado que diga que só viu o seu Bastonário na televisão ou no jornal. Este é um bastonato sem fronteiras – de Bragança ao Funchal, de Viana do Castelo a Faro, estaremos onde os Advogados precisarem de nós. Porque liderar não é comandar à distância, é estar presente no terreno, ouvir os problemas reais e construir soluções concretas.
A literacia jurídica é, neste contexto, uma responsabilidade incontornável. Quantos portugueses conhecem verdadeiramente os seus direitos? Quantos navegam sozinhos em águas jurídicas perigosas quando bastaria uma consulta preventiva para evitar o naufrágio? Aqui reside uma das nossas grandes batalhas: fazer do conhecimento do Direito não um privilégio, mas um património comum de todos os cidadãos.
Este editorial marca o início de uma nova era. Uma Ordem itinerante, presente em cada comarca. Uma instituição que dialoga em vez de confrontar, que negoceia em vez de impor, que une em vez de dividir. A transformação que prometemos já começou.
Juntos podemos mais!
O Colega ao dispor,
João Massano


