JOSÉ ANTÓNIO MATOS

Bastonário da Ordem dos Biólogos

USAR OU NÃO USAR MÁSCARAS FACIAIS

 

Assistimos diariamente a comentários e discussões sobre a utilização de máscaras faciais. Existem pessoas pouco habilitadas do ponto de vista de saúde pública e competências técnicas que não resistem a emitir a sua opinião, normalmente nas redes sociais, sobre a situação da Covid-19 e em particular sobre a utilização de máscaras, criando uma enorme confusão entre aquilo que é informação correta, oficial, e o que são simplesmente opiniões avulsas, com falsas informações sobre, por exemplo, as máscaras dificultam a oxigenação prejudicam a respiração.

Os vírus são partículas muito pequenas, que se disseminam fundamentalmente (no caso do SARS-CoV-2, o vírus que provoca a doença Covid-19), através de gotículas expelidas através da boca ou nariz das pessoas infetadas, para a boca e nariz das pessoas que estão nas proximidades, ou através das mãos que inadvertidamente levamos à cara após tocar em superfícies não seguras.

As três medidas preventivas simples mais eficazes para evitar infeção pelo vírus são:

– Manter, sempre que possível um distanciamento de alguns metros (mínimo 2 m) de outras pessoas

– Lavar frequentemente as mãos com água e sabão, e/ou desinfectante

– Usar máscara de protecção facial, que cubra a boca e o nariz 

É muito mais seguro utilizar máscaras
faciais do que não as utilizar

Embora o confinamento tenha sido muito eficaz em Portugal, esta medida além de desastrosa para a economia, é impossível de prolongar por demasiado tempo. Mais tarde ou mais cedo, todos precisamos de sair de casa para prosseguir com a nossa vida social e profissional. Todavia, continua a ser altamente recomendável, até indicação em contrário, manter o distanciamento, sempre que possível, em relação a pessoas com as quais não coabitamos.

 

A lavagem frequente das mãos é a mais fácil de realizar. Devemos lavar sempre as mãos após tocar em superfícies potencialmente contaminadas. Após tocar em qualquer artigo ou superfície não segura, devemos evitar tocar na cara antes de lavar as mãos.

E chegamos ao ponto mais potencialmente controverso: As máscaras são 100% eficazes? As máscaras são todas iguais? As máscaras têm efeitos colaterais negativos? Não é um exagero?

Obviamente que nem todas as máscaras são idênticas. As máscaras para profissionais de saúde são mais eficazes (aderem de uma forma mais “hermética” à face não deixando aberturas; o tecido é mais grosso e a malha mais apertada, etc.). Embora as máscaras “normais”, descartáveis ou reutilizáveis, não garantam uma eficácia de 100% (por exemplo, permitem a passagem de vírus pelas aberturas laterais), a verdade é que são muitíssimo eficazes para impedir que as tais gotículas projectadas por outras pessoas cheguem à nossa boca e nariz.

Por isso:

  •  é muito mais seguro utilizar máscaras faciais do que não as utilizar;
  • deveremos utilizar sempre máscaras quando estamos muito próximos de pessoas com as quais não coabitamos

Felicito a Ordem dos Advogados por esta iniciativa de proporcionar aos seus membros estas máscaras de
proteção individual, para melhor proteção de
todos nós

A RETER:

  • A principal função da máscara é proteger os outros e não proteger-me a mim. É para evitar que quando falo ou espirro, eu próprio esteja a enviar gotículas que possam atingir outras pessoas. Se todos usarmos máscaras, todos nos protegeremos.
  • As máscaras, quando utilizadas durante períodos longos (várias horas), provocam condensação e aumento de temperatura junto à boca e nariz. Esqueçamos os vírus por um momento, existem vários microrganismos (bactérias e fungos, por exemplo), que se sentem muito confortáveis em ambientes quentes e húmidos. É por isso fundamental substituir regularmente os filtros (quando elas os possuem) ou as próprias máscaras.
  • Não deverá colocar a sua máscara em cima da mesa enquanto come, nem colocá-la em qualquer superfície pública. Guarde a sua máscara dentro de um pequeno saco de plástico, na mala ou num bolso, mas nunca em superfícies públicas.
  • Não puxe a máscara para o queixo ou para a testa quando necessitar de uma pausa, nem a coloque no cotovelo. Está a facilitar o arrastamento de microrganismos para a sua boca e nariz ao fazê-lo.
  • Assegure-se que a máscara cobre ambos, a boca e o nariz quando está a utilizá-la.

 

Deixemos prevalecer o bom senso. O risco de doença e mortalidade com este vírus é muito baixo. Por isso não é necessário um excesso de preocupação, mas não devemos, todavia, facilitar. A situação em Portugal tem sido favorável e quando ocorrem surtos localizados temos conseguido dar boas respostas, alterando os nossos comportamentos. Há que manter os cuidados. Por respeito para com os outros, porque para eles, os outros somos nós.

Felicito a Ordem dos Advogados por esta iniciativa de proporcionar aos seus membros estas máscaras de proteção individual, para melhor proteção de todos nós.