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DUAS FACES DO DESPORTO

Quando pensamos em desporto pensamos também nos Jogos Olímpicos embora nos venham à memória imagens de violência. Sobre essas duas faces escrevemos.

 

O DESPORTO OLÍMPICO

Os Jogos Olímpicos são a maior competição desportiva do mundo, nos quais Portugal tem marcado presença desde a criação do Comité Olímpico de Portugal, (COP) em 1912, como organização sem fins lucrativos, de natureza desportiva e personalidade jurídica, regida por princípios sólidos e universais em harmonia com as normas estabelecidas pelo Comité Olímpico Internacional (COI).

Alinhado com a estratégia de sustentabilidade, o COP persegue o compromisso da valorização social do desporto, promovendo os valores do Olimpismo assentes no Respeito, Amizade e Excelência para garantir a singularidade e a participação nos Jogos Olímpicos (JO), colocar os atletas no coração do Movimento Olímpico e promover o Desporto e os Valores Olímpicos na sociedade.

A primeira missão portuguesa aos JO ocorreu em 1912, em Estocolmo, na V Olimpíada, com a presença de seis atletas masculinos. Só em 1952, na XV edição, em Helsínquia, a comitiva portuguesa integrou a participação feminina com três ginastas. A primeira participação nos JO de Inverno ocorreu em 1998, na 18.ª edição, em Nagano.

Para a História ficam os nomes de quatro campeões olímpicos – Carlos Lopes, Rosa Mota, Fernanda Ribeiro e Nelson Évora – como exemplo da excelência que ao longo das várias edições honraram os portugueses com 24 medalhas Olímpicas: quatro de ouro, oito de prata e 12 de bronze (ver quadro anexo).

Nos últimos anos, o posicionamento estratégico do COP aumentou significativamente na sociedade portuguesa, valorizando o seu papel como parceiro institucional. As áreas de intervenção são hoje diversificadas e mais abrangentes, tendo por base a adoção dos princípios da boa governação que facilitam o aprofundamento de parcerias colaborativas, a otimização da escassez de meios afetos ao movimento desportivo e, não menos importante, a consolidação e amplificação da agenda política do desporto.

 

MEDALHAS OLÍMPICAS

Ano Medalha Modalidade Atletas
JO Paris 1924 Bronze Equestre (Obstáculos – Prémio das Nações) Aníbal Borges d’Almeida, Hélder de Souza Martins, Luís Cardoso Meneses e José Mouzinho d’Albuquerque
JO Amesterdão 1928 Bronze Esgrima (Espada – equipas) Mário de Noronha, Paulo d’Eça Leal, Jorge de Paiva, Frederico Paredes, João Sasseti e Henrique da Silveira
JO Berlim 1936 Bronze Equestre (Obstáculos – Prémio das Nações) Domingos de Sousa Coutinho, José Beltrão e Luís Mena e Silva
JO Londres 1948 Prata Vela (classe Swallow) Duarte Bello e Fernando Coelho Bello
Bronze Equestre (Obstáculos – Prémio das Nações) Fernando Silva Paes, Francisco Valadas Júnior e Luís Mena e Silva
JO Helsínquia 1952 Bronze Vela (classe Star)

Joaquim Mascarenhas Fiúza e Francisco Rebello

de Andrade

JO Roma 1960 Bronze Vela (classe Star) Mário Quina e José Manuel Quina
JO Montreal 1976 Prata Atletismo (10.000 m) Carlos Lopes
Prata Tiro com armas de caça (Fosso Olímpico) Armando Marques
JO Los Angeles 1984 Ouro Atletismo-Maratona Carlos Lopes
Bronze Atletismo (5000 m) António Leitão
Bronze Atletismo-Maratona Rosa Mota
JO Seul 1988 Ouro Atletismo-Maratona Rosa Mota
JO Atlanta 1996 Ouro Atletismo (10000 m) Fernanda Ribeiro
Bronze Vela (Classe 470, masculino) Hugo Rocha e Nuno Barreto
JO Sydney 2000 Bronze Atletismo (10000 m) Fernanda Ribeiro
Bronze Judo (73-81 kg) Nuno Delgado
JO Atenas 2004 Prata Ciclismo (Prova de estrada) Sérgio Paulinho
Prata Atletismo (100) Francis Obikwelu
Bronze Atletismo (1500 m) Rui Silva
JO Pequim 2008 Ouro Atletismo, Triplo Salto Nélson Évora
Prata Atletismo Triatlo Vanessa Fernandes
JO Londres 2012 Prata Canoagem K2 1000m Emanuel Silva
JO Rio 2016 Bronze Judo (52-57 kg) Telma Monteiro

* Informação do Comité Olímpico Portugês

 

 

VIOLÊNCIA NO DESPORTO

 

A tragédia de Hysel, em 1985, foi o acontecimento mais trágico que marcou o desporto mundial no século XX.

Ao contrário do que aconteceu em muitos países, da Europa e não só, o fenómeno do “hooliganismo”, não assumiu em Portugal qualquer expressão. Existiram e continuam a existir, situações pontuais de rixas entre adeptos, envolvendo quase sempre as claques organizadas, de clubes rivais.

Portugal tem, segundo dados da Autoridade para a Prevenção e Combate à Violência no Desporto (APCVD), vinte e oito claques legalizadas. Saber se são benéficas ao desporto e ao futebol em particular daria outro debate!

Apesar disso, não podemos deixar de encarar seriamente, que as manifestações de violência são uma realidade, e como tal a sua prevenção teve consagração constitucional, em 1989, com a introdução do artigo 79º. Foi com base nestes princípios e disposições constitucionais, por um lado, e por outro a legislação europeia, que o legislador densificou a produção de legislação ordinária em redor da problemática da violência no desporto.

 

Marinela Deus (texto)