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Cultura artes & letras

António Manuel Moraes

A Comissão para as Letras e as Artes da Ordem dos Advogados dá-nos a conhecer um Advogado que não se circunscreve apenas ao Direito, mas para quem o mundo de interesses é tendencialmente inesgotável.

O percurso criativo do Advogado António Manuel Moraes no campo das artes é longo e diversificado. Longo porque abarca praticamente toda a sua vida – nasceu em 1947 – e diversificado porque abrange áreas tão distintas como a poesia e o romance, a história, sobretudo militar, e a escultura, bem como a pintura. Bebeu cedo nas fontes populares, tendo sabido aliar ao tradicional o erudito e ao popular o toque das grandes artes.

António Manuel Moraes começa pela poesia ainda adolescente. Poetar vai ao longo da vida, sendo autor das letras de fados cantados por Joana Amendoeira ou Margarida Guerreiro, poemas que reuniu num livro que intitulou “Fadário”. Também Ana Sofia Varela, Teresa Tapadas, Diamantina, Carla Pires e Isabel de Noronha deram voz à sua poesia.

No campo do romance, destacamos Rio Lugenda, a cuja temática não é alheia a sua experiência na guerra colonial e o impacto que a mesma teve na sua vida.

No campo da história militar, tem, em adiantada fase de preparação, um livro sobre os prisioneiros portugueses da batalha de La Lys, onde parte do caso particular do seu avô, que nessa batalha combateu e foi feito prisioneiro. Foi, aliás, relacionado com este tema, orador numa conferência organizada pela Comissão Portuguesa de História Militar.

Mas verdadeiramente notável é o trabalho que tem desenvolvido no campo da escultura. Inúmeras peças têm saído das suas mãos, estando presentes em muitos museus, casas particulares e instituições. Refira-se que tem privilegiado os temas do quotidiano dos seus interesses, aliados a uma notável capacidade de recriação, a que não é alheia a sua vasta cultura e interesses. Presente, no entanto, devem referir-se os temas ligados ao fado e à festa taurina. Cultivando um olhar ora sério ora irónico, reconhece-se-lhe a profundidade da sátira, o burlesco, ora grotesco ora cómico, o uso de formas disformes, o olhar agudo que cultiva com mestria.

Tem participado em exposições, de que se destacam “50 Anos de Artes e Letras – Tradições”, que teve lugar no Salão Nobre da Ordem dos Advogados de 3 a 11 de Setembro de 2015, bem como numa mostra de arte taurina que teve lugar no Campo Pequeno, em Maio de 2016. A primeira teve o patrocínio da OA e da sua Bastonária, Elina Fraga, e contou com a apresentação da ex-ministra Gabriela Canavilhas, enquanto a segunda foi apresentada por Elisio Summavielle, para quem António Manuel Moraes “tem naturalmente interiorizada no seu ser a espessura de um espírito renascentista”.

Já em 2017, a Câmara Municipal de Torres Vedras, terra da sua naturalidade, promoveu uma exposição de “Artes e Letras” da sua autoria, homenageando-o por mais de 50 anos dedicados à cultura.

Com uma vasta bibliografia, António Manuel Moraes é um Advogado (neste momento já na situação de reforma) que não se circunscreve apenas ao Direito, mas para quem o mundo de interesses é tendencialmente inesgotável.

Rubrica promovida pela Comissão para as Letras e as Artes da Ordem dos Advogados

Bibliografia

Presidiários - Heróis ou Vilões (Huguin, 1999);
Regresso a Segóvia (Huguin, 2001);
A Praça de Toiros de Lisboa - Campo Pequeno (ed. de autor, 1992);
Grupo de Forcados Amadores de Lisboa, 50 anos (AGFAL, 1994);
Fado e Tauromaquia do séc. XIX (Huguin, 2003);
Fadário Cem anos d’O Fado - De Malhoa a Galhardo e a Valério (ACD, 2011);
Fontes Rocha - Compreende? (ACD, 2013);
O Fado de Dom Vicente da Câmara (2014);
Rio Lugenda.

Toiro de Bandeira
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Toiro de Bandeira

Tipoia para o Campo de Sant’Ana
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Tipoia para o Campo de Sant’Ana

Programa Orador na Conferência Prisioneiros Portugueses na Grande Guerra
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Programa Orador na Conferência Prisioneiros Portugueses na Grande Guerra

Presépio
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Presépio

O ultimo amolador
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O ultimo amolador

Matador
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Matador

Curral
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Curral

Carnaval
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Carnaval

Pássaro aprisionado
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Pássaro aprisionado

Desilusão
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Desilusão