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Glossário das criptomoedas

Guia para 10 principais termos e conceitos.

As moedas virtuais, em essência, subjugam o papel que os bancos centrais e as instituições financeiras tradicionais desempenham no ecossistema financeiro, uma vez que são emitidas sem o apoio ou o envolvimento do governo e transaccionadas sem recorrer a nenhuma destas instituições. Actualmente, para enfrentar, entre outras, a valorização e volatilidade vertiginosa das criptomoedas1 assiste-se a uma enorme pressão sobre os reguladores para uma actualização célere das regras financeiras.

Em todo o hype actual à volta do bitcoin e das outras moedas virtuais, aquilo que é fundamental reter é que a tecnologia que lhes dá suporte, a Distributed Ledger Technology (LED), ou blockchain, veio para permanecer. A tecnologia LED (blockchain) é de tal forma disruptiva e poderosa que tem um enorme potencial para, através de múltiplas aplicações, revolucionar totalmente a prestação de serviços, públicos e privados, e aumentar a produtividade. Para facilitar a navegação no “universo das criptomoedas" organizámos um pequeno guia com os principais conceitos e termos técnicos.

1. Criptomoedas

Um tipo de moedas digitais que usam a criptografia, uma rede ponto-a-ponto (peer-to-peer) e um sistema descentralizado. O bitcoin é a criptomoeda mais madura, mas existem muitas outras disponíveis no mercado.


2. Blockchain (Cadeia de blocos)

Blockchain é o software que foi inventado para criar a moeda digital bitcoin em 2008. Também conhecida por tecnologia DLT (Distributed Ledger Technology), trata-se de um registo de informação que é mantido e actualizado por uma rede de computadores, e não por uma autoridade central. Esta tecnologia está protegida e é garantida por criptografia avançada de nível militar.
A tecnologia blockchain é cada vez mais utilizada pelas empresas, indústrias e governos para pesquisa e verificação instantânea das transacções de determinado produto, agilizando os processos negociais, economizando dinheiro e reduzindo o potencial de fraude. No seu núcleo, trata-se de um livro de registo das moedas/transacções com características muito particulares, que são a razão do seu sucesso: dispensa uma entidade central ou mesmo qualquer entidade bancária, as comissões tendem a ser baixas e as transacções podem ser anónimas.


3. Carteira digital (Wallet)

A wallet ou carteira é o lugar onde é armazenada a moeda digital. Existem vários tipos de carteiras, incluindo carteiras em papel e carteiras digitais (hardware wallets), que são usadas para armazenar as moedas digitais off-line. Este dois exemplos são considerados formas de armazenamento frio (cold storage ou cold wallet). Por outro lado, a forma de armazenamento quente (hot storage ou hot wallet) é uma carteira que pode ser acedida através da Internet, o que facilita as transacções mas a torna mais vulnerável a ataques. Uma comparação possível entre cold wallets e hot wallets é a que existe tradicionalmente entre as contas poupança e as contas à ordem. Nas primeiras guarda-se normalmente a maior quantidade de dinheiro disponível e nas segundas, regra geral, mantém-se uma liquidez mais reduzida, suficiente para facilitar as transacções.


4. Minerar moeda

Nos sistemas monetários tradicionais são os governos que decidem cunhar e imprimir dinheiro quando isso se mostra necessário. No que diz respeito às criptomoedas, não são criadas, são “descobertas”. Milhares de computadores (mineiros) em todo o mundo "minam" bitcoins e outras moedas digitais, competindo uns com os outros. Os mineiros obtêm bitcoins como recompensa pela resolução de um problema matemático. Este desafio matemático funda-se num processo sempre semelhante, mudando apenas as variáveis, e trata-se de experimentar números aleatórios sem parar até encontrar o resultado que é procurado nesse momento. O primeiro que consegue recebe a recompensa. Estes mineiros formam actualmente a rede de computadores mais poderosa que existe (supostamente mais poderosa que a NSA ou a Google).


5. Minerar blockchains

Os mineiros são também os responsáveis por validar as transacções de criptomoedas. Estas são inscritas no livro de registo ou blockchain e os mineiros são recompensados com moeda por essa actividade. A mineração funda-se num sistema de consenso alargado, que permite que os diferentes computadores confirmem as transacções de criptomoedas em lista de espera, incluindo-as na cadeia de blocos (blockchain). Este sistema impõe uma ordem cronológica na cadeia de blocos e protege a neutralidade da rede.
Para serem confirmadas, as transacções devem ser convertidas num “bloco” sujeito a regras criptográficas muito rigorosas, que serão depois verificadas pela rede. Essas regras impedem que blocos anteriores sejam modificados, pois isso invalidaria todos os blocos seguintes. A mineração também cria o equivalente a uma lotaria competitiva que impede actos maliciosos: nenhum indivíduo consegue controlar o que está incluído na cadeia de blocos ou substituir partes dessa cadeia.


6. Pools de mineração

Os mineiros podem associar-se em grupos para minerar com maior facilidade determinado bloco de criptomoeda e dividir a recompensa entre eles. Também existem as “multi-pools”. Estes grupos permitem que o mineiro escolha qual a moeda que quer minerar entre várias moedas criptográficas possíveis, sendo os lucros obtidos automaticamente convertidos em bitcoins.


7. Exchanges

As plataformas de intercâmbio (exchanges) que actualmente existem em todo o mundo oferecem graus muito variáveis de segurança, privacidade e controlo sobre os fundos e informação pessoal do utente. É aconselhável investigar as exchanges disponíveis e escolher previamente uma carteira (wallet) para guardar as criptomoedas antes de seleccionar uma destas plataformas.


8. Transacções - Chaves privadas (Private keys)

Uma transacção é uma transferência de valor entre carteiras de bitcoins (wallets) que é incluída na cadeia de blocos (blockchain).
As criptomoedas são desenhadas usando duas chaves criptográficas: uma chave pública e outra privada. A chave pública é uma série única de letras e números que é visível a todos e pode ser identificada na blockchain. A chave privada é única e mantida apenas pelo detentor da moeda digital. É esta chave que é necessária para aceder aos fundos e completar transacções. A chave privada é mantida secreta e usada pela wallet para assinar transacções, fornecendo assim uma prova matemática de que a sua origem é o proprietário da carteira. A “assinatura” também impede que a transacção seja alterada por qualquer pessoa uma vez que tenha sido emitida. Todas as transacções são emitidas para toda a rede e geralmente são confirmadas ao fim de 10 minutos após a sua validação pelos mineiros (v. Minerar blockchain). A chave privada jamais deve ser revelada e devem ser tidos cuidados especiais com o seu armazenamento, pois fica sujeita a ser atacada por hackers (que anualmente desviam milhões de bitcoins).


9. Bitcoin dust

Trata-se de uma transacção que envolve um envio de uma ínfima fracção das criptomoedas para qualquer destinatário. A rede considera essas pequenas transacções como "poeira" e desencoraja-as, exigindo uma taxa. Se isto não fosse desencorajado, alguém poderia fraccionar um bitcoin e criar um milhão de transacções de 0,000001 bitcoins cada, o que poderia ser um enorme obstáculo à fluidez da rede.


10. KYW - Conheça o seu cliente (Know your customer)

Procedimentos que impõem às corretoras de criptomoedas a obrigação de exigirem aos seus clientes informações básicas de identificação antes de lhes permitirem transaccionar em moeda digital. São medidas que pretendem evitar os problemas da lavagem de dinheiro e financiamento de actividades criminosas (terrorismo).

Texto Elsa Mariano


1 Principalmente depois de o bitcoin ter saltado de mil dólares para 20 mil dólares em menos de um ano e de, em Dezembro passado, ter sido aceito para transaccionar futuros em duas das maiores bolsas dos Estados Unidos.